terça-feira, 28 de abril de 2026

Mulher e Cigano

 Vou tratar isso como relato de memória oral do sertão, sem afirmar como algo sobrenatural confirmado, mas mantendo o jeito como essas histórias eram contadas e sentidas na época.

No sertão piauiense, em meados dos anos 1970, num daqueles lugares simples onde as casas ficam distantes umas das outras e a vida corre no ritmo da seca e da chuva, circulou um caso que o povo nunca esqueceu.

Diziam que uma mulher teria se apossado de um jumento pertencente a um cigano que passava pela região. Ele era desses viajantes antigos, de estrada e feira, acostumado a viver do pouco que vendia e do muito que via.

Quando percebeu a falta do animal, não houve grande confusão. O cigano não era homem de espalhafato. Seguiu seu caminho, mas deixou para trás o peso de uma injustiça, como o povo costuma dizer.

E foi aí que nasceu a parte mais lembrada da história. Entre os moradores, espalhou-se a fala de que ele teria lançado palavras fortes, dessas que no sertão antigo chamavam de praga — não como brincadeira, mas como coisa séria, carregada de sentimento e crença.

O tempo passou.

A vida da mulher, segundo o que se comentava nas redondezas, não foi fácil dali em diante. Vieram dificuldades, enfermidades, desgastes comuns de uma vida dura no sertão. E como acontece nessas terras de memória longa, muitos passaram a relacionar os acontecimentos àquele episódio antigo.

Mas havia também quem dissesse, em voz baixa e sem afirmar demais, que o sertão já é por si só um lugar exigente, onde a vida cobra caro de todos, e que nem tudo precisa de explicação além do próprio tempo e das circunstâncias.

O fato é que a história ficou. Não como prova, nem como certeza, mas como causo antigo — desses que atravessam gerações e viram exemplo, aviso ou apenas lembrança do que se ouviu dizer.

E assim, entre verdade vivida e verdade contada, o sertão segue guardando suas histórias.

Adão Rufina

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Caminhos do Sertão do Piauí

 ملا


BLOG


DEMPARASO CULTURA, HISTÓRIA E MEMÓRIA DO NOSSO POVO


PELOS


CAMINHOS DO SERTÃO


ADÃO RUFINA


(ADÃO DE SOUSA LINA)


A história de um homem simples, que atravessou o sertão com fé, coragem e dignidade.


LUGARES DE SUAS VIAGENS


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Olho d'Água


Jatobazinho


Tamboril Velho


Lagoa do Padre


Mundo Novo


Morrinho


Mundo Novo


Tamboril Velho


Jatobazinho


Olho d'Agua


Lagoa do Padre


Morrinho


t


FÉ TRABALHO HONESTIDADE FAMÍLIA


"Tropeiro vai, saúde de madrugada" E não vê a sua amada...


TRIO NORDESTINO


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MULHER TROPEIRA

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​A Capitã das Veredas
​Nas primeiras décadas do século passado, entre as chapadas do Piauí e os cerrados do Maranhão, o destino de uma mulher costumava ser traçado dentro de quatro paredes. Mas para ela, o destino tinha cheiro de poeira e som de casco de burro. Quando o marido se foi, ela não entregou os pontos. Olhou para os dois filhos e para o sobrinho e decidiu: a tropa não ia parar.
​Aquela pequena comitiva familiar cortava o sertão levando carga para a cidade. Ela não era apenas a mãe; era a guia. Para enfrentar o sol que racha o couro e os perigos da estrada, vestia-se como os homens da lida. Debaixo do chapéu de abas largas, escondia os longos cabelos pretos, amarrados com força, e uma beleza que o tempo e o vento não conseguiam apagar. Na cintura, o metal frio da arma era o aviso de que o respeito ali era lei.
​Mas foi no burburinho de uma feira que sua fama se espalhou como fogo em palha seca. Dois homens, achando que poderiam crescer para cima de uma mulher "sozinha", tentaram humilhá-la. Não tiveram tempo nem de puxar o fôlego. Antes que os filhos ou o sobrinho descessem dos animais, ela mesma resolveu a questão. Partiu para cima e venceu os dois na porrada, no meio da praça, sob o olhar atônito de quem achava que força era coisa só de barba no rosto. Ali, naquela tarde, o sertão inteiro soube quem ela era.
​O patrão, um homem solteiro que vivia para os seus negócios, acompanhava de longe a destreza daquela mulher. Ele via como ela cuidava da tropa e como a carga chegava sempre intacta, sem faltar um grão de mercadoria. A admiração profissional virou um sentimento mais profundo. Ele viu nela a parceira que a solidão da fazenda nunca soube oferecer.
​O casamento foi o encontro de duas forças que se entendiam. Ele deu o conforto da casa grande; ela trouxe a vida e a alegria de uma família pronta. Mas ela não se esqueceu de quem esteve ao seu lado na poeira. Sua primeira condição foi que os filhos e o sobrinho, seus companheiros de estrada, fossem morar na cidade para estudar. Queria que eles trocassem o peso das cangalhas pelo peso dos livros, garantindo um futuro que ela mesma teve que conquistar no braço.
​Viveram felizes e respeitados. E quem passava pela estrada e via aquela senhora de olhar firme na varanda, sabia que ali estava a mulher que provou que o respeito e a coragem não escolhem gênero — nascem na alma de quem sabe guiar o próprio caminho.
​Em honra à vida tropeira.
​Adão Rufina

domingo, 26 de abril de 2026

Mulher tropeira

 MULHER TROPEIRA 

​A Capitã das Veredas

​Nas primeiras décadas do século passado, entre as chapadas do Piauí e os cerrados do Maranhão, o destino de uma mulher costumava ser traçado dentro de quatro paredes. Mas para ela, o destino tinha cheiro de poeira e som de casco de burro. Quando o marido se foi, ela não entregou os pontos. Olhou para os dois filhos e para o sobrinho e decidiu: a tropa não ia parar.

​Aquela pequena comitiva familiar cortava o sertão levando carga para a cidade. Ela não era apenas a mãe; era a guia. Para enfrentar o sol que racha o couro e os perigos da estrada, vestia-se como os homens da lida. Debaixo do chapéu de abas largas, escondia os longos cabelos pretos, amarrados com força, e uma beleza que o tempo e o vento não conseguiam apagar. Na cintura, o metal frio da arma era o aviso de que o respeito ali era lei.

​Mas foi no burburinho de uma feira que sua fama se espalhou como fogo em palha seca. Dois homens, achando que poderiam crescer para cima de uma mulher "sozinha", tentaram humilhá-la. Não tiveram tempo nem de puxar o fôlego. Antes que os filhos ou o sobrinho descessem dos animais, ela mesma resolveu a questão. Partiu para cima e venceu os dois na porrada, no meio da praça, sob o olhar atônito de quem achava que força era coisa só de barba no rosto. Ali, naquela tarde, o sertão inteiro soube quem ela era.

​O patrão, um homem solteiro que vivia para os seus negócios, acompanhava de longe a destreza daquela mulher. Ele via como ela cuidava da tropa e como a carga chegava sempre intacta, sem faltar um grão de mercadoria. A admiração profissional virou um sentimento mais profundo. Ele viu nela a parceira que a solidão da fazenda nunca soube oferecer.

​O casamento foi o encontro de duas forças que se entendiam. Ele deu o conforto da casa grande; ela trouxe a vida e a alegria de uma família pronta. Mas ela não se esqueceu de quem esteve ao seu lado na poeira. Sua primeira condição foi que os filhos e o sobrinho, seus companheiros de estrada, fossem morar na cidade para estudar. Queria que eles trocassem o peso das cangalhas pelo peso dos livros, garantindo um futuro que ela mesma teve que conquistar no braço.

​Viveram felizes e respeitados. E quem passava pela estrada e via aquela senhora de olhar firme na varanda, sabia que ali estava a mulher que provou que o respeito e a coragem não escolhem gênero — nascem na alma de quem sabe guiar o próprio caminho.

​Em honra à vida tropeira.

​Adão Rufina

domingo, 3 de agosto de 2025

 UM DOMIMGO MAGNITSKY

Meu amigo Adonaldo, velho sujeito de muitas lutas. O homem falava que já quase tinha desistido da vida, em especial, política e religiosa. Mas após Trump voltar nos EUA, e vir um Papa com ideias consoladoras, o cidadão voltou a sobreviver. Mas ainda sofria com as injustiças do Brasil...

Como os recentes acontecimentos políticos vindo de fora, Adonaldo,  anda rindo à toa. Até que enfim Deus ouviu as orações dos brasileiros que rezam e quererem um futuro para as gerações. Não viverem pais comunistas. Para quem quer ver estamos no comunismo, ou  falta pouco. Lsilva já disse que eleição não é democracia e sim, as “democracias” da China entre outras. Gilmar Mendes, do atual STF, disse que todos na instituição, são admiradores do regime chinês. Não é preciso desenhar mais nada. Só não entende quem não quer ou é cego  da mente.

Dito isso, me amigo ficou animado com o que está vindo dos EUA. Hoje em muitas partes do Brasil, até na Bahia, foi lindo dever o povo nas ruas. Foi um domingo  MAGNITSKY DIA 3/8/25.

Valeu ADONALDO. Receba um abraço do velho amigo que têm afinidades nas tuas ideias.

ADAO NHOZINHO

quarta-feira, 26 de março de 2025

ERRO JUDICIÁRIO OU VINGANÇA

 

“O direito e a justiça surgiram da necessidade de organizar a sociedade e resolver conflitos”. 

Direito

·         O direito surgiu na sociedade primitiva com base em costumes e hábitos. 

·         Com o desenvolvimento da agricultura e da sedentarizarão, as relações sociais se complexificaram, exigindo um sistema jurídico mais elaborado. 

·         O direito é uma invenção humana, um fenômeno histórico e cultural. 

·         O direito é um conjunto de princípios e regras destinado a realizar a justiça. 

Justiça

·         A justiça é um sistema aberto de valores, em constante mutação. 

·         Na Grécia Antiga, a justiça era um conceito central na filosofia e na vida pública. 

·         A busca por um estado de paz e harmonia, seja por meio de contratos sociais ou pactos entre Estados, é essencial para promover o bem-estar e a justiça para todos. 

Brasil

·         A justiça brasileira foi criada em 1530, quando Martim Afonso de Sousa foi investido de poderes de jurisdição administrativa e judiciária. 

·         A Constituição Federal de 1988 criou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e cinco Tribunais Regionais Federais. 

·         O acesso à justiça foi efetivamente assegurado a todos os brasileiros e residentes no País, em seu artigo 5°, inciso XXXV, como direito fundamental”. 

 

(A lei de Talião)

(Código de Hamurabi.)

(A Lei de Murphy)

 .Não, o julgamento de Jesus Cristo não foi justo, pois foi ilegal, sem provas e sem direito à defesa. 

Ilegalidade

·         O julgamento de Jesus foi uma inversão da justiça, pois foi influenciado pela religião e pela política. 

·         Pilatos se curvou à vontade do povo, mesmo convicto de que Jesus não havia cometido nenhum crime. 

·         O julgamento não observou as formalidades da lei romana. 

Sem provas

·         Os crimes que estavam sendo imputados a Jesus não foram provados de forma cabal. 

·         O Sinédrio se preocupava mais com a religião, e não com as provas e alegações”

·        

·         “O julgamento de Jesus Cristo foi o maior erro judiciário da História”

·         O que está acontecendo com o ex-presidente (jmb), tem semelhança. É vingança mesmo.

Adão Nhozinho

quarta-feira, 24 de julho de 2024

INFOMAÇ AO ESTÁ NO LIXO

 

Um homem estudioso e curioso fez uma pesquisa para entender quais às necessidades das pessoas que vivem em condomínio de alto luxo e comunidades, às favelas e como viviam consumiam etc. Pensou por onde começar e lembrou-se de uma crônica de Fernando Veríssimo em que ele se comunica com uma vizinha por meio do lixo dela...

Em condomínio de luxo dar para ter uma ideia de como as pessoas daquele local consomem e o nível cultural. Se há gente velha vemos por caixas de remédios. Se acharmos livros e revista no lixo pode saber que alguém lê e que tipo de leitura. Muitos preservativos suponhamos  que não são católicos, e se têm absorventes que há mulheres jovens.

Se virmos maços de cigarros muita  que gente do prédio fuma. Vendo  litros de bebidas que há bebedores. Que tipo de comida  comem e se viajam  muito. Se tiver casca de balas de arma fogo, alguém ali usa armas.

Na lixeira coletiva da favela idem. Podemos saber se comem ovo e frango marmitas. Pelas casacas, frutas também. Se não vemos livros e revistas, jornal, no lixo é porque o nível educacional é precário ali. Enfim, pelo lixo temos uma Ideia de pessoas, consumo, hábitos vícios e nível cultural.

Faz sentido essa crônica não é, amigo?

ADAM NHOZINHO